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Encontro discute a importância da família no contexto socioeducativo

Tendo em vista a importância de restabelecer e fortalecer os laços familiares no contexto socioeducativo, os profissionais que atuam no Centro Juvenil Masculino (CJM) promoveu na última quinta-feira (27), o Encontro de Famílias em um sítio localizado em Marituba, Região Metropolitana de Belém. Entre os objetivos do encontro estão discutir a importância e o papel da família frente aos desafios do convívio familiar e comunitário, uma vez que esse adolescente irá voltar ao convívio social após o término da medida socioeducativa.


O CJM é administrado pela Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa), e atende adolescentes autores de ato infracional em regime de internação com idades entre 12 e 15 anos. Esses encontros são realizados mensalmente a partir de um trabalho de conscientização e sensibilização com as famílias utilizando um conjunto de instrumentais técnicos que norteiam esse trabalho, como por exemplo, a utilização das Práticas Restaurativas.

 

                                                                                                                  


A psicóloga do CJM, Georgete Pereira, que está à frente desse trabalho, explica que um dos fatores que podem vir a levar o adolescente a infracionar, pode está relacionado à ausência, disfuncionalidade ou desestruturação familiar. “Não se trata de vitimizar o jovem, mas ele faz parte de uma conseqüência anterior a essa conduta. Ou seja, o ato infracional é uma conseqüência de tudo aquilo que ele, infelizmente, começou a vivenciar lá atrás, anterior ao cometimento do ato em si”, avaliou.


Ela comentou ainda que quando esse adolescente chega ao sistema socioeducativo, é como se família ‘respirasse aliviada’ e dissesse: _Eu não estou mais dando conta, e agora alguém, que não sou eu, vai cuidar dele pra mim! Segundo Georgete, é uma fala recorrente que as famílias fazem em um determinado período desse processo socioeducativo, no qual os profissionais se esforçam para desconstruir esse pensamento.

 

                    


Dos 21 adolescentes atendidos no CJM, 18 são oriundos do interior do Estado. Tal predominância de rapazes que cumprem medida socioeducativa no espaço pertencente a comarcas do interior, se refletiu na programação, onde das 12 famílias que compareceram ao encontro, nove eram do interior.


PERFIL – O perfil sociofamilar do público atendido pelo CJM, segundo a entrevistada em alguns casos é composto por mães alcoólatras, padrasto que é dependente químico, algum familiar de “referência” pode está eventualmente cumprindo pena, encontra-se desempregado, em geral esse adolescente já passou por casas de parentes, algum membro da família já sofreu algum tipo de violência doméstca, entre outros.

 

                 


Ao lado da mãe, o irmão de um dos adolescentes que veio do município de Igarapé- Miri, nordeste do Estado, que cumpre medida socioeducativa há quatro meses no CJM, disse que esses momentos são importantes porque é uma forma de ele se sentir querido e da família passar a energia positiva ao rapaz. “A gente acredita na recuperação dele e estamos sempre dando forças para que ele saia com outros pensamentos. Essas reuniões são importantes pois a gente tem algumas orientações de como se comunicar melhor com ele, interagir e ajudar na educação dele. Então aqui a gente compartilha experiências e cria meios para nos ajudarmos em comunidade. Todos nós da família sofremos, porque não é o que queríamos para ele, mas é uma forma de o meu irmão reparar o erro que ele cometeu”, observou.


Texto e fotos: Alberto Passos/ Ascom Fasepa

 

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