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Adolescentes do sexo masculino que estão fora da escola são maioria em atos infracionais

A doméstica Carla*, 36 anos, estava pela primeira vez no Serviço de Atendimento Social (SAS) com o seu filho de 15 anos, que foi apreendido depois de cometer um assalto em um ônibus. Ambos aguardavam o momento da audiência com o juiz. Assim como muitos jovens que chegam ao espaço, ele também não estava frequentando a escola. Dados da Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa) apontam que a evasão escolar é a realidade para maioria dos adolescentes na criminalidade. A defasagem série/idade atingem principalmente jovens que pararam entre a alfabetização e a 2ª série do ensino fundamental, representando 74,25% dos socioeducandos. Porta de entrada para o jovem envolvido em atos infracionais, o SAS tem o papel de acolher o adolescente que muitas vezes vem de uma estrutura familiar abalada, com baixa escolaridade e com pouco acesso a bens materiais.

 

 

“Eles explicam o que a gente deve fazer para que os nossos filhos não voltem para o mundo do crime. Espero que quando sair daqui, ele melhore e saiba que para conquistar as coisas não pode ser assim, é preciso suar e lutar pelo que a gente porque se seguir pelo caminho que acha mais fácil, pode acabar perdendo a vida mais fácil também”, disse Carla.

 

Entre as ocorrências mais comuns cometidas pelos jovens, estão o roubo, o homicídio e o tráfico de drogas, muita das vezes influenciados pelos colegas em busca de dinheiro fácil. Entre os principais atos infracionais cometidos, o roubo é o primeiro da lista chegando a quase 20% de todas as ocorrências registradas dos atendidos pela Fasepa. Do total de socioeducandos em 2014, 94,92% deles são do sexo masculino e 5,07% do sexo feminino.

 

 

De acordo com a Coordenadora do SAS, Regina Mendes, o trabalho da equipe da Fasepa no primeiro atendimento ao socioeducando é fundamental porque o adolescente que é apreendido pela primeira vez chega bastante agitado, pois não esperava que um dia ele fosse encaminhado para o cumprimento de uma medida socioeducativa. “Toda a equipe de servidores realiza um trabalho de integração que leve o jovem a refletir sobre o ato, já que ele cometeu um erro e está no SAS por causa desse erro”, disse.

 

O SAS fica com a custódia do adolescente por até 72 horas, durante esse período o jovem deve passar poruma audiência para saber se ele vai cumprir medida socioeducativa nas unidades de internações da Fasepa ou se, na sua sentença, será designado que cumpra serviços à comunidade, tudo isso dependendo do grau do ato infracional cometido.

 

Um dos adolescentes atendidos no espaço e que aguardava a sua sentença no SAS era o jovem Marcus*, de 16 anos, morador do bairro do Guamá, em Belém, ao lado de seu pai Francisco*. Ele foi apreendido por policiais militares após ser flagrado com uma quantidade de maconha, na Orla de Belém e também por porte de arma.

 

 

"Se soubesse que seria assim, eu não tinha entrado nessa vida. Espero limpar meu nome e ajudar minha família. Meu pai sempre fala que nessa vida tem dois caminhos: a cadeia ou a morte e não quero nenhum dos dois pra mim”, disse. De acordo com o pai de Marcus, ele sempre foi uma pessoa reservada e de poucos amigos, mas nos últimos meses ele se envolveu com outras pessoas e mudou o comportamento. Foi quando Seu Francisco soube que seu filho se envolveu com roubo. “Ele trabalhava e estudava. Me senti um pouco abatido porque sempre falava o que era bom e ruim. A amizade levou ele para o fundo do poço”, declarou.

 

Após passar pelo SAS e ouvir a orientação dos profissionais que atuam na área da socioeducação, Francisco garante que seu filho mudou de comportamento, deixando de lado as amizades perigosas e frequentando as aulas e até mesmo um novo estágio. “Conversei muito com ele e hoje vejo que isso mudou o modo dele. Ele estuda, vai trabalhar e amadureceu mais. Tenho certeza que daqui pra frente, ele vai seguir outro caminho”, afirmou.


Uma das servidoras mais antigas atuando na socioeducação do estado, a Assistente Social Marilza Martins, 65 anos, atua há 37 anos no Estado e não esconde a felicidade em falar sobre o trabalho desenvolvido ao logo dos anos. Segundo ela, o que a motiva a continuar atuando na socioeducação é a vontade de evitar que o jovem volte a cometer algum ato infracional. “Se eu trabalho com eles estou ajudando a sociedade eu gosto de conversar com eles e me relaciono muito bem com todos. Adoro esse trabalho com adolescentes e isso é motivo de briga na minha casa todo dia. Eles pedem pra me aposentar”, comenta.

 

 

“Nenhum menino nasce infrator, é a sociedade que o faz ser infrator, a desestruturação familiar e até a falta de oportunidades. Eles têm a gente como espelho já que mostramos o caminho para que se tornem pessoas de bem e sigam em frente. A Fasepa me ensinou que, no nosso trabalho, temos que fazer sempre o melhor, se avaliando e gostando do que faz”, completou Marilza.


*Nomes criados para preservação de identidade segundo o Art. 247 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).


Texto: Tiago Furtado
Fotos:
Alberto Passos / Ascom Fasepa 

 

 

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