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A convivência familiar como fator essencial na socioeducação

A convivência familiar é um dos principais fatores que agregam na formação de uma pessoa. É na família que as primeiras relações são criadas e surgem vínculos que se tornam pontos de referência, refletindo nas nossas atitudes e escolhas futuras. Nas unidades da Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (FASEPA), o convívio familiar dos jovens inseridos no sistema é de extrema importância para a efetivação de um atendimento de qualidade e assim trazer consequências positivas através do processo de ressocialização. Tais valores são reforçados nesta quinta-feira, 21 de outubro, Dia Nacional de Valorização da Família.

 

O laço familiar se mostra um fator determinante no desenvolvimento psicológico, como explica a psicóloga do Centro de Internação do Adolescente Masculino (CIAM) Sideral, Clea Corecha. “Existem alguns estudos científicos, que comprovam que filhos criados somente com mães, quando adultos podem apresentar dificuldades até mesmo de constituir uma família, de criar relacionamentos afetivos saudáveis”, pondera Clea.

 

Para alguns dos socioeducandos da Instituição, o vínculo familiar se fortalece, ou até mesmo se forma, a partir do momento que se tornam pais. “O nascimento de um filho pode fazer toda a diferença, porque um pai que cuida, se responsabiliza e se envolve emocionalmente com o filho, está amando a si próprio como filho também, resgatando e cuidando de si. Quando ele supre a necessidade afetiva do filho, ele está suprindo a própria necessidade afetiva também e pode assim adquirir um equilíbrio emocional mais saudável. Muitas vezes vemos na Unidade, um adolescente que é pai e por conta disso se motiva mais a transformar sua história de vida para buscar novos focos. Muitos jovens que já atendi disseram ‘Não quero ser para o meu filho o que o meu pai foi para mim’ e assim isso traz um contexto de esperança”, completa a psicóloga.

 

 

 

A participação do ciclo familiar pode se tornar um elemento determinante para que jovens em conflito com a lei possam possuir uma referência afetiva que os faça refletir sobre as escolhas e os caminhos que desejam seguir futuramente. Um socioeducando de 18 anos, que está a há dois meses no Centro de Adolescentes em Semiliberdade (CAS) 2, atualmente é pai de um menino de 11 meses e faz a convivência com o filho e a família de sua companheira por meio de visitas. “Depois que meu filho nasceu, ele me deu a chance de mudar de vida e o meu modo de pensar. Quando ele nasceu tentei fazer o meu melhor para não ser mal exemplo, quero dar o melhor pra ele. Eu estou em convivência com a família e, depois que ele nasceu, me ensinou a enxergar de outra forma”, conta o jovem sobre a mudança depois de se tornar pai.

 

A assistente social da fundação, Mônica Calandrine, comenta que a família e os profissionais da socioeducação devem caminhar sempre juntos para conseguir beneficiar o jovem atendido. “O documento técnico operativo do Sinase (Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo) traz a família como um eixo central na socioeducação. Nesse sentido, o trabalho social desenvolvido na Fasepa junto aos familiares dos socioeducandos tem objetivo de garantir a preservação e o fortalecimento do vínculo, através da garantia da convivência familiar”, ressalta Mônica.

 

 

 

A companheira do socioeducando que é pai, observa mudanças e mantém muito otimismo em relação à transformação que o filho do casal vem causando no jovem. "Eu acredito que o nosso filho vai ajudar nessa mudança. Ele já tem demonstrado bastante amor pelo filho, quando ele vai pra lá, ele escolhe passar mais tempo com o neném, e antes ele ficava com os amigos”.

 

A mãe da jovem, que também participa das visitas de convivência familiar, se mostra uma grande aliada no processo de socioeducação do rapaz. “Eu quero uma vida melhor para ele, que possa ter um futuro melhor. Que ele aproveite os cursos que estão oferecendo na Fasepa, porque nós temos que ter algo como profissão”, ressalta a senhora, que é quem oferece o suporte familiar extremamente necessário a qualquer adolescente que esteja inserido no sistema socioeducativo na busca na ressocialização.


Texto: Kauanny Cohen

Fotos: Benedito Júnior/ Ascom Fasepa


 

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