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Fasepa e UFPA realizam seminário sobre Estudos de Autores de Violência

Para quem trabalha com jovens em conflito com a lei, é fundamental entender que, para haver um atendimento socioeducativo de qualidade, existe uma necessidade de aprender sobre como se deu a trajetória de vida do indivíduo. A Universidade Federal do Pará (UFPA), em parceria com a Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fasepa), realizou um seminário de pesquisa sobre a percepção da violência sexual. Na quinta-feira (14), o evento contou com a presença de profissionais da universidade que puderam expor uma mostra de pesquisas de conclusão de mestrado na área da psicologia realizadas dentro do Sistema Penal e na socioeducação.

 

 

 

As pesquisas foram coordenadas pela pós-doutora, assistente social e coordenadora do Núcleo de Psicologia da UFPA, Lilia Cavalcante, e as integrantes do Grupo de Estudos de Autores de Violência e as professoras Milene Veloso e Daniela Reis, quem fez a abertura do seminário. “Nós temos essa parceria das Universidades com a Fasepa, e hoje estamos dando um retorno das pesquisas que estão sendo realizadas nas instituições. O que se faz atualmente é atuar no pós do ato infracional, mas é preciso refletir que as políticas públicas precisam se precaver. Nós precisamos trabalhar para que não ocorra a infração, se anteceder mesmo, e os governos precisam entender que a política pública de base, ou seja, a prevenção para que não tenha jovens em conflito com a lei, é preciso ser trabalhada antes”, explica a docente.  

 

 

 

As pesquisas se iniciaram na Fasepa em 2019, porém, por conta da pandemia de Covid-19 foi preciso uma pausa. A assistente social da equipe técnica da fundação, Mônica Calandrine, conta sobre a importância dessa troca de informações e experiências. “A Instituição abre as portas para as academias desenvolverem pesquisas nos nossos espaços socioeducativos. O assunto que foi abordado hoje, os autores da prática de violência sexual, é um assunto muito presente dentro do nosso dia a dia e as nossas equipes técnicas, participando desse debate, podem se qualificar cada vez mais para entender quem é essa pessoa que cometeu o ato infracional, o contexto dele, história de vida, etc. E com esse conhecimento nós conseguimos desenvolver trabalhos mais qualificados e consequentemente resultados mais eficazes”, ressalta a profissional sobre a importância da troca de conhecimento.
 

 

Avaliar fatores como sociais, culturais, familiares e econômicos na trajetória de vida dos jovens é de extrema importância para entender os caminhos dos jovens, como comenta a doutoranda da UFPA, Maíra Ferraz. “Nós procuramos olhar para os autores de agressão, porque é de costume fazer estudo sobre as vítimas, mas se não olharmos para os autores, se perde um pouco da origem do fenômeno. Então a pesquisa procurou olhar para as experiências adversas na vida desses autores de agressão sexual contra crianças e adolescentes, para entendermos se essas experiências podem ter influenciado até que eles cheguem ao ponto de cometer um ato abusivo ou violento”, ressalta Maíra, que expôs como foi desenvolvimento de suas pesquisas, feitas em três unidades socioeducativas da Fasepa.


De acordo com a doutoranda, o intuito do evento é haver uma troca com os profissionais que estão na linha de frente, atuando com adolescentes que chegam nas unidades socioeducativas. “Eles colocam para nós como esse atendimento se dá na vida real, porque nós na academia coletamos os dados e tentamos fazer associações, mas os profissionais é que vão nos dar como é a realidade de intervenção com esses adolescentes. Então a ideia é que as informações que trazemos aqui sobre considerar as experiências de vida, possam ajudar no trato e em como planejar formas de intervenção”, esclarece.

 

Texto: Kauanny Cohen 

Fotos: Benedito Júnior/ Ascom Fasepa 


 

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