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Projeto pioneiro na socioeducação convida universitários para dialogarem com adolescentes internos

Com o objetivo de proporcionar um diálogo horizontal com os adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa, a comunidade acadêmica é convidada para participar de uma iniciativa pioneira no Brasil, o Grupo de Diálogo Universidade, Comunidade e Adolescente (GDUCA), lançado na manhã de hoje (13), no auditório David Mufarrej, na Universidade da Amazônia (Unama), campus Alcindo Cacela, em Belém. Servidores da Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa), profissionais e estudantes das áreas de direito, psicologia, serviço social e pedagogia participaram da palestra de lançamento cujo tema foi "A Construção da Identidade Impostora e a Impostura do Adolescente em conflito com a Lei".

 

 


O projeto trata-se de uma parceria entre a Fasepa e a FORTIORI Consultoria em Psicologia por um termo de cooperação técnica. O projeto piloto terá duração de 12 meses de encontros que reunirão 30 estudantes voluntários, 30 socioeducandos de 12 a 21 anos, e coordenadores dentro de duas unidades socioeducativas para dialogarem sobre diferentes temáticas, com certificação após o último encontro.

 


Para o ministrante da palestra, psicólogo, diretor executivo da FORTIORI e coordenador do GDUCA, Altiere Ponciano, "o conflito de ter ou não ter, de ser ou não ser, de pertencer ou não pertencer, esse conflito histórico é a base do entendimento para o diálogo horizontal." Ele explica que os efeitos da prisionização atingem não só os internos, mas também quem trabalha no dia a dia no contexto de privação de liberdade. "Se a gente entende esse sujeito em conflito com a sua própria identidade e eu também tenho conflito com a minha própria identidade, isso é perfeito para o diálogo horizontal. Nós não estamos nem acima e nem abaixo", esclarece Altiere.

 


Essa busca pelo diálogo é o caminho para que a socioeducação se consolide dentro um nível mais próximo do ideal, como preconiza o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), como explica o presidente da Fasepa, Miguel Fortunato. "A socioeducação remete sempre a uma discussão profunda e de multidisciplinaridade. Não há nenhum contexto profissional que possa vencê-la (socioeducação) isoladamente. É fundamental que a gente tenha essa compreensão que a política do atendimento socioeducativo é uma política federativa e que precisa se incorporar na rede de União, Estados e Municípios ", afirma Miguel sobre a a importância da articulação entre os diferentes entes que compõem a rede intersetorial socioeducativa.

 


A iniciativa chamou a atenção dos universitários que marcaram presença no evento, como é o caso da Carolina Oliveira, pós-graduanda em Serviço Social. "Eu estagiei no Centro Socioeducativo Masculino (CSEM) durante um ano e meio, o meu TCC foi sobre a socioeducação. É um tema que eu gosto muito, desde o começo da graduação sempre quis falar sobre isso e me inserir nesse meio. Achei muito interessante esse tipo de projeto com grupo de estudos no sistema socioeducativo e quero participar," conta Carolina.


Quando iniciou - O projeto foi baseado em um grupo de extensão da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP), o GDUCC (Grupo de Diálogo Universidade-Cárcere-Comunidade), idealizado e coordenado pelos professores Alvino Augusto de Sá e Sérgio Salomão Schecaira, e teve início com internos adultos de alguns presídios da cidade de São Paulo e de Guarulhos. Atualmente ele é realizado em sete estados do Brasil.


Serviço - A divulgação do edital será amanhã (14.08) no site da fortioriconsultoria.com.br e www.fasepa.pa.gov.br e os encontros terão início no dia 2 de setembro.


Texto e fotos: Franklin Salvador/ Ascom Fasepa

 

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