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Para além da linha de chegada: projeto orienta jovens internos a correr em busca pela liberdade

Para quem irá percorrer 21km de corrida, os preparativos começam bem antes do horário da largada. Para o jovem de 19 anos que acordou às 3h da manhã, olhando a luz do luar pelas grades do quarto cela do Centro de Internação Jovem e Adulto (Cijam), em Ananindeua, a preparação começou apenas há um mês de treinamento. Privado de liberdade, ele é um dos cinco jovens custodiados pela Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa) que participam do projeto "Correndo Pela Liberdade" e o primeiro socioeducando a concluir uma meia maratona no Pará. "Quando a gente começa a correr passa a sentir algo dentro da gente de não desistir", afirma o jovem nascido em Tailândia-PA, que está há um ano e cinco meses cumprindo medida socioeducativa.

 

 

QUALIDADE DE VIDA - Júnior Menezes ressalta os benefícios fisicos e psicológicos da corrida para saúde

 

Tal feito foi alcançado durante a "Meia Maratona de Castanhal" realizada no último domingo (26), no nordeste paraense, com a largada às 5h30 da manhã, da Praça do Estrela. Para o organizador do evento e educador físico, Júnior Menezes, a corrida é adequada para todas as idades, desde que orientada por um profissional. "Os benefícios de quem pratica a corrida são muito maiores com relação a qualidade de vida, saúde física e psicológica. É necessário, claro, de um bom preparo físico e das orientações nutricionais", explica Menezes. Para a realização da corrida que reuniu 350 corredores inscritos oficialmente de um total de aproximadamente 500 participantes, a organização teve apoio do Exército, da Guarda Municipal, da Polícia Militar, da Secretaria de Esporte e de outros colaboradores.

 

 

SATISFAÇÃO - Nilson destaca o resultado em pouco tempo de treino conquistado pelo socioeducando durante a prova

 

"Foi uma emoção muito grande para ele e pra gente quando ele cruzou a linha de chegada. O prêmio maior é a gente estar conseguindo ressocializar esses jovens, esse é o maior prêmio que tem, independente de chegar em primeiro lugar ou em último", disse o monitor e um dos treinadores do socioeducando, Nilson Moraes. Segundo ele, mesmo ainda no início do projeto, o jovem já conseguiu um bom resultado na prova. "O principal é a força de vontade que a gente tem. Pra um mês de preparo foi um tempo muito bom '2h03' para 21km. Como ele é jovem, daqui a pouco tempo ele vai tá brigando lá na ponta, eu tenho certeza", acredita.

 

 

 

O treinamento funcional está sendo realizado três vezes na semana: com uma hora de duração em dois dias dentro da unidade socioeducativa, e aos sábados, com duas horas, no Parque Ambiental do Utinga, localizado em Belém. Para garantir o condicionamento físico dos jovens, eles são acompanhados de um profissional de nutrição, um médico, dos preparadores físicos e do apoio pedagógico da unidade socioeducativa.

 

FOCO - "Agora eu tô vivendo um novo mundo, minha visão melhorou. Se você buscar e focar no seu objetivo, você vai conseguir, não importa a dificuldade", revela o socioeducando que busca como nova meta concluir a maratona da São Silvestre em São Paulo de 2019. "Se Deus quiser no final do ano eu vou chegar lá, cuidando da minha estrutura física e me preparando bem", ressaltou o jovem.

 

Além da prática esportiva, o jovem também faz estágio no Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJ-PA) há sete meses. "Estou achando uma experiência muito boa pro meu currículo. Quando eu sair da Fasepa pretendo terminar meu ensino médio, cursar uma faculdade de direito e me tornar advogado ou juíz, além de continuar treinando porque é o exercício que vai me ajudar na minha saúde e vai melhorar meu desenvolvimento", conclui.

 

 INICIATIVA - Monteiro ressalta a necessidade de investimento nos talentos

 

PARCERIA - "Para estender a outras unidades, a gente precisa buscar incentivo de patrocínio para que possamos dar continuidade a essa atividade", observa Raimundo Monteiro, gestor do Cijam. Ele conta que o projeto "Correndo Pela Liberdade" iniciou da expertise de alguns servidores que já praticavam a modalidade esportiva e ganhou apoio técnico da gestão da fundação. "A gente percebe na expressão dele essa liberdade de estar envolvido num evento social em que ele participa da construção de uma nova sociedade. Hoje tenho a clareza de que um jovem como esse está com a autoestima lá em cima, de dizer que ele está preparado para ser reintegrado na sociedade com outro pensamento, com nova postura, com nova conduta", destacou Monteiro.

 

Texto e fotos: Franklin Savlador/ Ascom Fasepa

 

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