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O papel da mãe na realidade de adolescentes e jovens privados de liberdade

 "Quando eu sair daqui eu pretendo acabar meus estudos, arrumar um trabalho, pegar ela pra morar comigo e reconstruir o laço com ela de mãe e filha. Não sei o que está se passando na mente dela, não posso conversar com ela direito, a saudade aperta, né, mas tem o dia que ela vem me visitar, só que é poucas horas e não dá pra matar a saudade", revela uma das 15 adolescentes que cumprem medida de internação no Centro Socioeducativo Feminino (CSEF), em Ananindeua, no estado do Pará. Há oito meses privada de liberdade, após cometer um ato infracional, ela vive o drama de ser mãe longe de sua filha. A socioeducanda é uma das duas internas custodiadas atualmente pela Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa) que já são mães, ambas com 17 anos, do total de 22.

 

 


"Eu sempre tive conflito na minha família. Tive uma mãe e um pai afastados. Tive uma infância e uma adolescência frustradas, com isso eu fui começando a fazer coisas erradas e foi o que me trouxe pra cá", conta a adolescente que desde seus 12 anos mora com a sua avó, a mesma pessoa quem leva a criança para visitar a mãe a cada duas semanas na unidade de internação. Com a mãe biológica morando em outro município, a adolescente ver o papel da avó como de fundamental importância na sua vida. "Eu morava com elas duas, minha filha e minha avó. Tenho ela como mãe pra mim também, ela me ajuda muito, minha avó é meu apoio", explica a socioeducanda justificando a ausência do pai da menina que não conhece a filha. Por também ter se envolvido com ato infracional, a mãe escolheu manter a filha distante do pai preocupada com as referências negativas.

 


Segundo a psicóloga Cirlu Cohen, a família dos adolescentes jovens atendidos pela Fasepa geralmente se centraliza na figura da mãe. "Em mais de 90% dos casos é a mãe que é uma referência afetiva e quando eu falo mãe, não necessariamente é a mãe biológica, mas pode ser uma cuidadora, avó, tia, mas geralmente é uma figura feminina e ela que é a provedora de cuidados e de afetos, ela que nutriu esse jovem nos primeiros anos e norteou a qualidade da relação dele com o mundo e com a vida", explica a psicóloga.

 


A distância também pode ter seu lado positivo para a relação entre mãe e filho como é o caso da mãe do jovem de 18 anos que cumpre medida socioeducativa no Centro Internação Jovem Adulto (CIJAM). "Meu melhor presente seria que ele saísse daqui outra pessoa, cabeça feita, transformado, porque é uma situação muito difícil passar por tudo isso para nascer aquele amor de mãe e filho entre nós dois. Agora a gente já se respeita, ele já me beija, me abraça, ele diz que me ama, coisas que ele não fazia antes, a gente não tinha esse contato de mãe e filho, agora a gente tem. Deus está dando uma segunda chance para ele, eu espero que ele agarre essa chance que Ele está dando", acredita.

 

 


DIA DAS MÃES - No mês de maio, todas as unidades socioeducativas do Pará realizam atividades em homenagem às mães. Durante a programação do CSEF realizada na unidade na sexta-feira (10), avó e filha assistiram a apresentação da socioeducanda cantando no coral e receberam o brinde produzido por ela. Durante 45 dias, as adolescentes participaram de oficinas de musicalidade, de dança, de artesanato com produção de brindes e a decoração do espaço, além da gravação de um vídeo com os depoimentos das adolescentes em homenagem às mães. A pedagoga do CSEF e uma das coordenadoras do evento, Maria José Melo, explica que além dos servidores da Fasepa, a programação contou com a participação dos professores da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e dos grupos de espiritualidade, como o Pro-vida, a Igreja Adventista e grupo musical Samba e Louvor. No processo pedagógico, "a gente cria essa perspectiva de ela ter um futuro melhor, mostrar que o caminho é pela educação".


 

 

Para a adolescente e mãe, a esperança da liberdade se torna cada vez maior. "Quando eu sair daqui pretendo terminar meus estudos e iniciar a carreira de direito como advogada. Como eu nunca tive muito incentivo e nem força de vontade, lá fora eu não tava estudando, aqui dentro eu já passei a ter vontade e gostar de estudar. Eu quero passar totalmente as coisas diferentes do que eu vivi pra minha filha, eu quero dar muito amor e carinho pra ela", afirma a socioeducanda.

 

Texto e fotos: Franklin Salvador/ Ascom Fasepa

 

 

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