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Encontro debate o mercado de trabalho com egressos do sistema socioeducativo

A educação, a qualificação profissional e a inserção de adolescentes e jovens egressos do sistema socioeducativo no mundo do trabalho são alguns dos pilares estruturais que norteiam a política da socioeducação no Estado. Nesse sentido, a Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa), promoveu nesta quinta-feira (21), no auditório da instituição, um encontro com o objetivo de dialogar sobre temas afins ao desenvolvimento social e humano desse público.


Dados da Fasepa de 2017 até junho de 2018, aproximadamente 150 adolescentes e jovens egressos do sistema socioeducativo e seus familiares estão inseridos em projetos e ações como Bolsa Aprendizagem, Programa Jovem Aprendiz, participam de cursos profissionalizantes e exercem suas atividades laborais em empresas privada, Organizações Não Governamentais e repartições públicas parceiras da socioeducação como Ministério Público do Trabalho (MPT), Imprensa Oficial do Estado (IOE), Tribunal de Contas do estado (TCE), Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster), Tribunal de Justiça (TJ-PA), Defensoria Pública, Fasepa, Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, entre outros.

 


“Esses encontros são muito bons porque não falam apenas de trabalho, sobre o nosso futuro, sobre a importância da escola, mas conversar com os jovens sobre vários assuntos que às vezes desviam do nosso foco central. A medida socioeducativa me ajudou bastante a melhorar enquanto pessoa e conheci muitas pessoas que me ensinaram e incentivaram a lutar pelos meus sonhos”, comentou um rapaz de 19 anos, que fez estágio enquanto cumpria medida socioeducativa na Fasepa, e que hoje trabalha em um supermercado em Belém.
       

 

Em tom reflexivo e motivacional, esses encontros são realizados de forma sistemática entre os jovens, familiares e a equipe técnica da Fasepa na perspectiva de exercitar as relações sociais, familiares, profissionais dos socioeducandos, além de empoderá-los sobre diversos assuntos. Relatos de vida, troca de experiências e dinâmicas em grupo pautaram o encontro que contou com a participação de cerca de 30 famílias.

 


O presidente da Fasepa, Simão Bastos, ressalta alguns indicadores do atendimento socioeducativo que denotam que o trabalho está sendo feito de maneira positiva. “Nós temos números favoráveis de adolescentes que saíram da medida socioeducativa em 2017, e 97% desses que participaram de cursos e oficinas profissionalizantes, atividades relacionadas à arte e cultura, entenderam a importância da escolarização e participaram das ações de espiritualidade, não reincidiram em nenhum ato infracional após o termino da medida. Isso representa um número bem expressivo e é uma resposta positiva por parte daqueles que são atendidos”, sublinhou Simão.

 

                                                       


Ele comentou ainda que a sociedade precisa ter um olhar diferenciado para essa política, pois os jovens não pertencem a Fasepa, e sim, a sociedade. “Nós entendemos que a mudança de pensamento e a compreensão do nosso trabalho é algo que deve ser permanente. Os jovens atendidos pela Fundação, pertencem a sociedade, e não devemos ter um olhar institucionalizado a respeito deles. Esse público enfrenta os desafios sociais postos pela própria sociedade”, finalizou Bastos.


ANÁLISE – A psicóloga e pedagoga que atua na coordenação técnica da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Mayana Okada, disse que em geral, por sua condição social, muitos jovens não veem possibilidade de ascender socialmente por não conseguir ultrapassar os limites territoriais do próprio bairro e não conseguem projetar um futuro melhor. “A violência de forma geral, o contexto familiar e social no qual esses jovens estão inseridos, muitas vezes impedi o desenvolvimento deles por não terem autoconfiança e um projeto de vida. Utilizar recursos lúdicos, realizar dinâmicas que auxiliem a se reencontrar e acessar algo que de alguma maneira já foi rompido, seja pela falta de comunicação com os pais ou pela falta de possibilidade dentro do próprio bairro, ou até mesmo no contexto familiar da própria valorização de pessoa. Então, é necessário ter uma atividade de autoconhecimento para que eles novamente se sintam valorizados, verem suas limitações e suas potencialidades para depois traçar outras maneiras de atuarem na sociedade”, avaliou Okada.

 

                                                     


Para a mãe de uma adolescente que ficou um ano e quatro meses cumprindo medida socioeducativa na Fundação, e hoje está em Liberdade Assistida, à medida socioeducativa veio unir os laços afetivos entre mãe e filha e proporcionar um direcionamento pedagógico e profissional a adolescente. “Eu vejo a minha filha bem centrada naquilo que ela está buscando para o futuro dela e eu só tenho a agradecer a equipe da Fasepa que tem ajudado através dessas reuniões mensais. Então isso eu tenho passado para ela sobre a importância de ela valorizar tudo aquilo que é passado nesses encontros. Tudo aquilo que aconteceu no passado serviu para acrescentar muitos valores na vida dela”, observou a mãe da adolescente, que preferiu não se identificar.


O Art. 227 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.


Texto e fotos: Alberto Passos/ Ascom Fasepa

 

 

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