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Mães reforçam a importância do vínculo familiar para a ressocialização de adolescentes

 

O Dia das Mães na socioeducação é uma data marcada pela emoção do reencontro e de singular importância para a reaproximação e o fortalecimento dos vínculos afetivos familiares entre mães e filhos. Pensando nisso, os profissionais que atuam nas 15 unidades socioeducativas da Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa), localizadas na Grande Belém e no interior do Estado, promoveu ao longo dessa semana uma programação variada alusiva a data para homenageá-las.

 

 

 

As datas comemorativas são trabalhadas de forma pedagógica e integradas entre a equipe técnica da Fasepa, os professores da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e os grupos religiosos que prestam assistência espiritual aos adolescentes e jovens que manifestam interesse em participar das ações desenvolvidas por essas pessoas dentro das espacialidades da Fundação.

 

 

 

A importância dos vínculos familiares, aliados as atividades pedagógicas realizadas nas unidades socioeducativas, podem ser traduzidas em números. Em 2017, dos jovens que receberam progressão ou encerramento de medida, 97% não reingressaram ao sistema socioeducativo. Ou seja, não reincidiram em atos infracionais sujeitos a medida de privação de liberdade. O que comprova o papel fundamental da família e equipe técnica no processo de ressocialização dos adolescentes.

 

 

 

As mães entrevistadas foram categóricas ao afirmar que o “combustível” que as alimenta, dando forças para seguir em frente é o amor, a esperança e a fé. Sem esses três ingredientes, segundo elas, muitas já teriam desistido de acreditar em dias melhores para seus filhos. Por sua vez, elas também reconhecem que a medida socioeducativa veio em boa hora, pois tem consciência de que, caso seus filhos estivessem em liberdade, provavelmente já teriam sido mortos, como revela uma mãe que não quis se identificar.

 

 

 

“Mesmo triste por não ter meu filho perto de mim, sei que o fato de ele está aqui foi um livramento de Deus, porque se ele estivesse lá fora, eu acho que ele não estaria vivo. Eu me sinto melhor em saber que ele está aqui aprendendo coisas boas e repensando tudo aquilo que fez com que ele viesse parar aqui”, declarou a mãe de um adolescente, que trabalha como comerciante, enquanto o filho aguarda sentença judicial no Centro de Internação do Adolescente Masculino (CIAM), localizado no bairro do Sideral.

 

No Ciam, no Centro Juvenil Masculino (CJM) e na Unidade de Atendimento Socioeducativo de Ananindeua (UASE Ananindeua), por exemplo, a programação contou com momentos de oração e reflexão, relatos de vida, apresentações artísticas e musicalização, entre outros.

 

 

 

A gestora da UASE Ananindeua, Sônia Cabeça, observou que nenhuma mãe gerou um filho para entrar na socioeducação. Segundo ela, pela importância de estreitar os laços maternos e familiares na socioeducação, às mães passam a cumprir medida socioeducativa junto com o filho. “As mães da socioeducação não tem um perfil apenas de carência econômica, mas como também social, afetiva e assistencial. Não é fácil para elas virem até o espaço visitar seus filhos. Além disso, muitas viajam longas distancias para estar aqui, se ausentam do emprego para participar dos nossos encontros”, ressaltou Sônia.

 

Tomados por forte emoção, em meio a lágrimas e abraços intermináveis, era possível ver a troca de olhares entre mães e filhos que demostravam o amor, o carinho e a cumplicidade que os une. Os arranjos familiares que compõem a socioeducação são plurais: são avós ou avôs, tias, primas ou irmãos mais velhos que tomaram para si o papel e a responsabilidade de doar a sua afetividade, a sensibilidade e o seu tempo àquele jovem que está passando por um momento peculiar e transitório da sua vida.

 

 

 

RECONHECIMENTO - “A minha mãe é tudo pra mim. Foi aqui que eu percebi o quanto ela é importante pra mim. Hoje, eu entendo os conselhos que ela me dava, porque sempre quis o meu bem e que eu cresça na vida”, declarou um jovem de 16 anos. Ele diz ainda que “apesar do erro que eu cometi, ela sempre esteve ao meu lado e sei que eu ainda vou dá muito orgulho para minha mãe. Eu só posso dizer que eu a amo e agradecer pelo dom da vida”, finalizou o rapaz que cumpre medida socioeducativa de internação na UASE Ananindeua.

 

Nem mesmo a distância de 12h de barco entre o município de Breves, localizado na Ilha do Marajó, e a capital Belém, a logística e os custos financeiros envolvidos com transporte, foi capaz de impedir que uma das quase 20 mães que estiveram presente na programação do Dia das Mães deixasse de prestigiar a programação e receber a homenagem do seu filho.

 

 

 

“É a primeira vez que eu vou passar o Dia das Mães longe do meu filho e isso é muito triste. Se hoje ele está aqui, é porque em algum momento, eu, como mãe, falhei. Eu amo o meu filho e sempre procurei dar o melhor para ele, mas faltou alguma coisa na nossa relação que estamos buscando consertar. Eu vou lutar pelo meu filho até o fim e incentivo todas as mães, que tem seus filhos nessa situação, a fazerem o mesmo. Eu acredito que tudo pode mudar, que Deus tudo pode fazer na vida deles e nós, mães, temos que está presente. Eu não vou medir esforços para ajudar o meu filho enquanto ele estiver aqui”, declarou emocionada a mãe de um socioeducando que está há seis meses cumprindo medida socioeducativa. 

 

Texto: Alberto Passos

Fotos: Alberto Passos e Tiago Furtado / Ascom Fasepa

 

 

 

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