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Mostra cultural apresenta talentos e histórias de superação envolvendo socioeducandos

 

Mais de 80 adolescentes privados de liberdade saíram das unidades socioeducativas do Estado para celebrar as possibilidades artísticas e encontraram-se no Teatro Estação Gasômetro, nesta sexta-feira (1), para mostrar à sociedade as boas práticas desenvolvidas pela Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa). Produtos artesanais de decoração, móveis feitos com materiais recicláveis, roupas, panificação e confeitaria foram alguns dos produtos expostos na 3ª Mostra Talentos da Fasepa. Tudo produzido pelas mãos dos próprios socioeducandos.

 

 


O evento marcou o encerramento das atividades desenvolvidas junto aos adolescentes e jovens sentenciados pela Justiça e que cumprirem medidas socioeducativas de internação ou semiliberdade na Fasepa. A programação aberta ao público foi uma oportunidade da sociedade conhecer alguns dos produtos confeccionados pelos jovens, além de conferir de perto apresentações de dança, percussão, música, teatro e até mesmo desfile de moda. Tudo fruto das oficinas realizadas dentro das unidades socioeducativas ao longo do ano.

 

 


João*, de 17 anos, foi um dos participantes do evento. Ele integra o grupo de percussão da Fasepa e aproveitou para mostrar aos presentes de que é possível alcançar uma transformação social e vislumbrar um futuro melhor por meio da música. “Aqui dentro da medida socioeducativa eu tô podendo ter contato com coisas que nunca fiz antes. A música foi onde me encontrei. Aqui as pessoas me incentivaram a fazer o que gosto e hoje sou uma pessoa mudada. Consegui me encontrar e hoje sou uma pessoa muito feliz”, diz o adolescente que cumpre medida socioeducativa de semiliberdade, prestes a alcançar a liberdade.

 

 


O jovem foi orientado pelo arteeducador Ricardo Jardim, responsável por reger o grupo de percussão formado por socioeducandos e resultado das oficinas realizadas dentro das unidades da Fasepa. Para o servidor, a forma de trabalhar com os internos, focando na parte pedagógica, ajuda-os a ter uma referência que possa colaborar com o processo de ressocialização. “Na parte da música busquei trabalhar muito com a ideia de regência, mas com uma linguagem leve e que venha a somar com a medida socioeducativa. Com isso, percebemos como os socioeducandos absorveram rápido e responderam bem ao processo de aprendizagem. Para mim, esse é um marco muito importante, pois conseguimos colaborar para o desenvolvimento social através da música, descobrindo novos talentos. Talentos que nem os próprios adolescentes sabiam que tinham”, Declarou o servidor.

 

 


De acordo com o presidente da Fasepa, Simão Bastos, o evento leva para a comunidade a importância de se investir no resgate da cidadania, sensibilizando os participantes e mostrando que é possível alcançar a ressocialização de adolescentes e jovens em conflito com a lei. “Aqui nós estamos demonstrando como é feito nosso processo de resgate da cidadania desses meninos e meninas, dentro de nossos espaços socioeducativos. Para nós funciona como uma prestação de contas à sociedade, convergindo nesse momento em que apresentamos uma parte de tudo o que fizemos ao longo do ano. Por se tratar de uma política pública desafiadora e que precisa de várias mãos, o sentimento hoje é de satisfação por ver resultados exitosos e que contribuí para o ressignificar de caminhos dos socioeducandos”, afirma.

 

 


A programação também serviu para reunir os adolescentes e seus familiares, já que a maior parte do tempo eles passam nas unidades socioeducativas, sob custódia do Estado. É o caso da Maria*, dona de casa que foi até o local para ver a programação e matar saudade da filha que cumpre medida de internação no Centro Socioeducativo Feminino (Cesef). Ela elogiou o trabalho feito que, segundo ela, foi capaz de mudar o comportamento da filha, transformando-a em outra pessoa. “O tempo que ela passou lá dentro foi fundamental para o aprendizado dela e foi necessário para ela ver as coisas que deixou aqui fora. Eu nunca imaginei que minha filha fosse parar em uma unidade socioeducativa, mas também descobri que eles foram sempre atenciosos com as meninas, fazendo com que elas ficassem mais próximas das famílias. O tempo que ela passou na unidade conseguiu mudar a cabeça dela. Foi uma mudança necessária e que nos ajudou muito bem”, relatou.


*Nomes fictícios para preservação da identidade, como determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).


Texto: Tiago Furtado

Fotos: Franklin Salvador / Ascom Fasepa
 

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