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Governo ajuda a transformar realidades por meio do ensino da música

Neste 22 de novembro, Dia do Músico, o Pará comemora o incentivo ao ensino musical. Na Escola Estadual Ruy Paranatinga Barata, situada no bairro de Val de Cans, a professora Rachel Aquino, de 38 anos, dá aulas de piano a 30 crianças, de 9 a 11 anos. O projeto existe há três anos e nasceu de uma inquietação da professora de educação física, que antes se dedicava a um projeto de balé na mesma escola.


“Me incomodava o fato de as aulas de balé alcançarem pouco os meninos. Não é que um menino não pudesse fazer dança, mas o interesse deles não era tão amplo. Tinha esse anseio de ver as crianças aprendendo a lidar com os instrumentos. Até que um dia, resolvi abraçar o projeto. E hoje, minha felicidade é ver o grande interesse dos meninos pelas aulas de música”, disse a professora, cuja obstinação com o ensino da arte lembra a do professor de inglês John Keating, vivido pelo ator Robin Williams no filme “Sociedade dos Poetas Mortos”.


Assim como o professor do filme, Rachel quer ensinar as crianças a seguirem os seus sonhos e aproveitarem cada dia. As aulas ocorrem diariamente, de segunda à sexta, durante uma hora e 15 minutos. “Uma grande alegria é perceber o quanto a música amplia os horizontes dessas crianças. Estudar piano sempre foi elitizado porque o custo é alto, mas a gente se entusiasma vendo a dedicação delas. Quase nenhuma tem teclado em casa para treinar, mas elas têm uma obstinação tão grande, que quando eu entrego uma partitura, mesmo sem ter como estudar em casa, elas chegam à próxima aula com os olhinhos brilhando, já querendo tocar a música”, destacou Rachel.


A disciplina das crianças é outro fator destacado pela educadora. Uma de suas maiores surpresas, hoje uma aposta real, é o pequeno Miguel Silva, de 9 anos. Considerado o mais peralta da turma, Miguel foi o primeiro a levantar as mãos em sala quando a professora perguntou quem queria fazer as aulas. “O que eu mais gosto é ouvir novas músicas e descobrir como posso tocá-las”, disse Miguel, concentrado na partitura enquanto falava. Logo depois, Miguel tocou a clássica “Bate o sino” com precisão para seus colegas de turma cantarem.


As aulas de piano na Escola Ruy Barata vão até o quinto ano fundamental, mas Marcely Roberta, 13 anos, continua frequentando a turma mesmo depois de trocar de colégio. “Desde quando eu comecei a tocar, descobri que meu sonho é ser pianista. Depois de conseguir comprar meu teclado, quero entrar no Instituto Carlos Gomes e levar adiante esse sonho”, disse a menina, que vende brigadeiros em sua escola para comprar um teclado e se preparar melhor para fazer o teste no instituto em 2018.


A música como recomeço


Depois de cumprir três anos de medidas socioeducativas na Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa), um jovem de 17 anos se descobriu na música. Assim que chegou ao Centro Juvenil Masculino, em Ananindeua, uma das 15 unidades socioeducativas no Pará, ele começou a se empolgar com as aulas de flauta e percussão.
                          

 

Hoje está matriculado no Instituto Carlos Gomes e vislumbra um futuro bem diferente da realidade de três anos atrás, quando foi apreendido durante um assalto. “Quero ser um flautista da Aeronáutica. Essa oportunidade foi uma luz no fim do túnel para mim e não quero desperdiçá-la”, disse.

 

                                                   

 

Depois da musicalização na Unidade Socioeducativa de Ananindeua, o jovem foi selecionado por Eduardo Ferreira, arte-educador de música do Espaço Apoena, no município de Ananindeua, onde os jovens atendidos pela Fasepa participam de atividades de arte, cultura e lazer. Esses jovens também formam o grupo “Talentos”, que se apresenta a cada final de ano em eventos do estado. Hoje, o grupo tem quatro mulheres e 11 homens tocando instrumentos de percussão e tendo aulas de canto, em três horas de ensaio diárias.


A aposta é que os jovens descubram um novo caminho por meio da música. “A intenção da arte-educação dentro do sistema socioeducativo é proporcionar a mudança de vida desses jovens através da arte. Trabalhamos disciplina, respeito e uma série de valores para a reinserção social desses jovens. Minha maior motivação é vir percebendo vários exemplos práticos, de jovens que passam a ficar mais calmos e adquirem responsabilidade através das aulas de música”, disse Eduardo Ferreira.

 

                                                                 


Instituto Carlos Gomes desenvolve talentos em Belém e no interior do Estado


Com 122 anos de história muitos paraenses chegam do interior do estado para se dedicar ao estudo e ensino da música no Instituto Carlos Gomes. São jovens que mudam sua realidade, transformando a música em profissão.


Em 2001, Deninson Pastana, então com 18 anos de idade, trancou a faculdade de agronomia no município de Castanhal, onde morava, para mudar seu destino. Por meio do projeto de interiorização da Fundação Carlos Gomes, ele participou de uma oficina de música na cidade. Depois da conclusão do curso, que durou uma semana, Deninson decidiu vir para Belém se dedicar ao bacharelado em música do Instituto Carlos Gomes. Fez aperfeiçoamentos e há quatro anos é professor de trombone no conservatório.


“O projeto de interiorização mudou minha vida, porque foi através dessa oficina que passei a conhecer todo o trabalho desenvolvido pela Fundação Carlos Gomes no interior. Foi aí que me despertou a vontade de ser professor. Depois do curso formal de música, a interiorização é o setor de maior importância dentro da Fundação Carlos Gomes, porque leva o conhecimento para quem está distante da realidade da capital”, diz Deninson.


Assim como Deninson, 90% dos professores contratados pela Fundação Carlos Gomes saíram do projeto de interiorização da Fundação, responsável pela política de ensino da música no Estado e que desenvolve atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão.
Como funciona o projeto


Desde 1991, a Fundação Carlos Gomes mantém o Projeto de Interiorização, por meio do qual revitaliza as bandas de música existentes no interior do Estado, criando ainda condições para que surjam, paralelamente, escolas de música que possibilitem a formação de novos músicos. Dessa maneira, não só preserva como desenvolve uma política de educação musical no estado.


O projeto atende hoje 20 municípios e 15 vilas. Indiretamente, chega a cerca de 30 municípios, beneficiando em média 4.890 alunos. O projeto trabalha em conjunto com a Polícia Militar do Estado, Corpo de Bombeiros e professores do Instituto Estadual Carlos Gomes. Os núcleos são implantados em convênio com as prefeituras dos municípios, além de associações e clubes musicais.


Nas localidades onde não existe banda de música, para a criação de um núcleo, o projeto desenvolve o ensino de flauta doce, levando posteriormente ao ensino de instrumentos que serão utilizados na criação de novas bandas. A Fundação Carlos Gomes oferece também cursos de interesse de cada município, além de encontros de bandas anuais em Belém.


O sucesso é refletido não só nos 90% de professores contratados que saem do interior. “Em média, 80% dos alunos que fazem teste com a gente para ingressar no bacharelado em música também vêm do interior do estado. São alunos que depois ingressam nas Forças Armadas, fazem parte de grandes orquestras nacionais e internacionais. Isso nos enche de orgulho”, destaca a diretora de interiorização da Fundação Carlos Gomes, Iranilde Nunes.


“Esse projeto de interiorização é a oportunidade que temos de capacitar as pessoas que já trabalham com música, ou não, em locais onde existem bandas centenárias que desenvolvem um trabalho autodidata. Isso faz com que a gente tenha o ensino musical sempre presente nesses lugares, perpetuando essa prática”, reforça Cláudio Trindade, diretor de ensino do Instituto Carlos Gomes.


O Instituto também oferece hoje, além do bacharelado em Música, um curso de complementação pedagógica para quem é bacharel e pretende se dedicar à docência. E este ano, abriu a primeira turma de pós-graduação em Música.


Mini Painel de Bandas
Como parte do projeto de interiorização foi criado este ano o Mini Painel de Interiorização. O primeiro ocorreu no final de setembro, no município de Colares, com seis oficinas ensinando música durante quatro dias a 250 pessoas. Em seguida, foi para São Caetano de Odivelas, no período de 25 a 28 de outubro, com a participação de 285 alunos em oito oficinas, tendo como novidade a de Canto.


A professora foi Dhuly Contente, 25 anos, coordenadora do polo Música e Cidadania do Instituto Carlos Gomes em uma paróquia no barro do Telégrafo. “Apesar de os alunos serem iniciantes, sem conhecimento técnico e teórico sobre a voz, o nível me surpreendeu. Vários talentos podem surgir dali. Eles têm uma intuição vocal muito forte, e uma vontade de aprender imensa”, destacou.


Entre os seis solistas que encerraram as aulas de Dhuly, com uma apresentação comovente, estava Luciana Cardoso, 23 anos. Moradora de São Caetano, ela participou durante cinco anos da banda de música do município, tocando clarinete, mas foi a aula de canto, ministrada pela primeira vez na cidade, que ganhou o interesse da jovem. “Agora, quero ser professora de canto do Instituto Carlos Gomes. O curso foi determinante para eu descobrir a minha vocação”, disse Luciana.


A programação chegou agora ao município de Marapanim, no período de 22 a 25 de novembro, com seis oficinas programadas. De São Caetano de Odivelas, de Castanhal, ou outro canto do Pará, o talento do interior se aperfeiçoa no Instituto Carlos Gomes.


Texto: Syanne Neno/ Agência Pará (Secom)

Fotos: Marcelo lelis/ Agência Pará (Secom)
 

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