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Familiares de jovens em conflito com a lei conhecem metodologia de atendimento

 

Em evento inédito realizado neste sábado (6), na Escola de Governança Pública do Estado do Pará (EGPA), em Belém, familiares de adolescentes e jovens privados de liberdade no Estado reuniram-se para discutir melhorias no atendimento socioeducativo e receber orientações sobre o cumprimento de uma medida socioeducativa, por jovens que cometeram algum tipo de ato infracional.

 


Denominado “Diálogos Temáticos: O papel da família no contexto do cumprimento de medidas socioeducativas”, o evento, realizado pela Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa), contou com a participação de representantes do sistema de garantia de direitos do Estado e familiares das regiões de integração do Carajás, Guamá, Marajó e Região Metropolitana de Belém.

 


Entre os temas discutidos ao longo do dia, estavam a segurança nas unidades socioeducativas, metodologia de atendimento aos socioeducandos, direito à educação formal e profissional dentro dos espaços da Fasepa, justiça juvenil restaurativa e o atendimento aos jovens egressos do sistema socioeducativo, além do papel dos pais e responsáveis no processo de ressocialização dos internos.


Apresentar e entender a complexidade do atendimento a adolescentes e jovens privados de liberdade é um desafio diário para os familiares, principalmente aqueles que entraram recentemente no universo do atendimento socioeducativo, é o caso de Maria (nome fictício) que viu sua filha de 16 anos ser apreendida após cometer um assalto em Belém.

 


Ela foi encaminhada para cumprimento da medida de internação provisória, enquanto aguarda sentença do juizado. O susto em ver sua filha longe de casa foi inevitável, mas apesar da distância, a mãe tanta buscar forças para aprender mais sobre o atendimento realizado e contribuir com a ressocialização da jovem. “Para mim foi um choque muito grande. Jamais imaginava que ela fosse fazer isso. Eu espero que ela melhore muito, o que puder fazer por ela eu vou fazer. Eu visito ela sempre que é permitido e percebi que ela está se sentindo melhor, com atividades que não fazia antes”, afirma.

 


Todos os relatos e questionamentos das famílias no evento serão registrados e encaminhados às unidades socioeducativas para que sejam criadas novas estratégias de atendimento. O presidente da Fasepa, Simão Bastos, relatou que a expectativa é aprimorar o atendimento socioeducativo a médio e longo prazo, com os relatos dos familiares. “Esperamos identificar novos focos de atenção apontados por eles e promover a escuta dessa família para aperfeiçoar o trabalho que desenvolvemos ao longo do ano. Todos os participantes acolheram muito bem a proposta da Fundação e temos certeza que os resultados serão positivos. O próximo passo é realizar encontros, a partir do que escutamos aqui e compor um planejamento que será produzido por nós”, informa.

 


 

Para a titular da Secretaria Extraordinária de Estado de Integração de Políticas Sociais (Seips), Izabela Jatene, é fundamental que os familiares participem ativamente das atividades socioeducativas, além das visitas que são programadas semanalmente pois, sem a presença deles, o processo de ressocialização torna-se difícil. “É fundamental a gente trabalhar de forma mais intensa a referência na vida dos adolescentes. A gente não consegue trabalhar a socioeducação sozinho e por isso as famílias têm um papel fundamental. Eles precisam se fazer presentes nas visitas e incentivar os filhos a trilhar um novo caminho a partir da saída dele do cumprimento da medida. Esse evento é um marco e fecha um ciclo, definindo o papel do Estado, do sistema de justiça e da família, com o jovem sendo um grande protagonista desse processo”, declara.

 


A promotora de justiça do Ministério Público do Estado, Leane Fiúza de Melo, destacou a importância de incentivar os familiares dos jovens a divulgar o trabalho desenvolvido na socioeducação, que precisa cada vez mais da participação de toda a sociedade. “A maioria das pessoas acha que esses meninos não têm ninguém na vida. Por isso precisamos que a comunidade participe ativamente das atividades desenvolvidas nas unidades socioeducativas para ajudar o próprio Estado. A presença deles é fundamental para mudar a concepção de medida socioeducativa”, ressalta.


O evento “Diálogos Temáticos: O Papel da Família no Contexto do Cumprimento de Medidas Socioeducativas” contou também com a participação de Carmem do Carmo, representando a Casa Civil da Governadoria e também de Fábio Atanásio de Moraes, coordenadora do escritório do Fundo das Nações Unidas Para a Infância (Unicef).


Texto: Tiago Furtado

Fotos: Alberto Passos / Ascom Fasepa

 

 

 

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